Eu não sou um nem outro: Sou qualquer coisa de intermédio
Se eu fosse o outro, o do chapéu macio e do bigode eternizado em cúbico arremedo, angústia dividida em tantas partes e óculos redondos, podia-te contar eu guardador de sonhos
Se eu fosse o outro, o delicado e bêbedo génio de nós todos, o que amou estranho e sabia dizer coisas enormes numa pequena língua e fraco império, se eu fosse aquele inteiro ditado de exageros e exclusões, falava-te de tudo em ingleses versos
E mesmo se não foi ele quem disse (e podia até ser, que eram amigos e o século a nascer arrepiava como já não o fim) há razão nessa história do pilare do tédio a escorrer de um para o outro.
Ana Luísa Amaral

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