AINDA EXISTEM PESSOAS DE BEM 2

Ainda existem certamente pessoas de bem.
Mas infelizmente para mim só talvez tenha ocorrido esta boa vontade por ter sido época pascal. Pois ao passar esta fase tudo o que de mau até aqui vivido, voltou ou, possivelmente, nunca desapareceu. Pairou numa névoa ténue que rapidamente se dissipou tal qual essas boas intenções que não passaram de promessas por cumprir.
E eu que pensava o contrário. Já devia saber advinhar a falsidade nas conversas mansas.
Continua tudo na mesma mentira vã e rude que transtorna.
A pilha esgotou a energia. Consome-se  numa réstea de esperança e fé.
Aguardo... revoltado.

Ainda existem pessoas de Bem

Estava a atravessar há meses uma fase da vida muito difícil e precária. À beira da rotura financeira e psicológica. A esperança de retorno era dúbia; poderia seguir o caminho da incerteza e continuar remando contra uma maré sonhadora mas sem futuro ou cair num abismo sem retrocesso.
Vários dias sem conseguir dormir, embora tivesse uma cama e casa. Comer alguma coisa, embora preferisse uma mesa para me encostar e cismar. A saúde física não era famosa mas dava para ir sobrevivendo a custo. A escassa família continuava a dar forte apoio mas com o receio de não haver contrapartida, da minha parte, a esse amor e carinho. Ainda tinha alguns amigos que se preocuparam e ajudaram.
O motivo para alguém chegar a este nível humilhante e degradante foi o acumular de diversos factores provocados por uma rejeição, vulgo, extinção do meu posto de trabalho regular, uma das únicas actividades a que dei, dou e darei sempre a importância devida, o gosto diário das tarefas correntes e uma entrega total. E a fase de trabalhador sem trabalho já é facto corriqueiro, infelizmente, mas comum, nos nossos dias para milhares de milhares de portugueses indignados.
Mas o contexto mudou. Ainda existem pessoas de bem entre nós. Ainda há cura possível para o flagelo. É preciso acreditar.
Pela primeira vez na minha meia vida de existência, senti e vivi uma situação limite, na qual não estava a conseguir reagir. Perdeu-se a graça e o sentido, como se os fios que nos ligam à vida e nos comandam a vontade tivessem sido desligados. Como religar tudo de novo?
Admiro e louvo a iniciativa, força de vontade e maneiras diferentes de sobreviver, que muitos colegas de ocupação e amigos meus, perante a injustiça e a humilhação provocados pela falta de emprego, me souberam transmitir, através das suas amargas experiências, dando-me um alento e uma nova maneira de sentir a gratidão, a fé, a auto-estima e a esperança. 
Estou grato a todos. O pouco de uns e o muito de outros me alimentaram a alma e depositaram no meu coração fortes mudanças de ânimo e visão da vida quotidiana.
Voltei a ter sonhos, a escutar as pessoas, a ler, a sorrir, a ser simpático com quem nos oferece um carinho, um sim, em troca de quase nada. 
Voltei a ser o optimista que sempre pautou pela vontade de triunfar, mudando as coisas para ajudar todo o mundo. 
Tal como acontece neste tempo de Quaresma, também o caminho supõe cooperar com a graça, para eliminar o homem velho que habita em nós. É ultrapassar o pensamento de que não existe futuro mas sim alimentar a esperança de que o presente tem de ser vivido intensamente, mostrando em cada dia todas as faculdades de que somos feitos, do ensinamento e assimilação de conhecimentos adquiridos ao longo da vida. É como renascer das cinzas, qual Fénix que habitou as profundezas do obscurantismo e nos arrastou para o abismo. O melhor agora é afastarmo-nos dele, deixando para trás das costas o negativismo e a descrença. Estou agora num tempo de renascimento. Um Plano Divino, com promessa de alcançar felicidade perdida no tempo e realização pessoal interrompida num fatídico dia de Março de outra era. Penso que a dor de cada um de nós deve ser sentida, respeitada e vivida. Faz parte da lide humana que a vida nos oferece, mas nada, nada mesmo, pode fazer com que desistamos de nós próprios. 
Há momentos na vida que só gente de BEM pode colocar-nos online e nos ligar de novo ao mundo visível, por meio de ajuda profissional, familiar, amigos ou até mesmo a nossa religião. Não podemos desistir quando nos olhamos ao espelho e nos vemos fracos. Respeitemo-nos e agradeçamos a Deus estarmos vivos. 
A vida não é fácil. Ninguém nos disse que iria ser. E todos sabemos que as dificuldades não nos podem derrotar, mas sim tornar-nos fortes e experientes. 
Santa Páscoa!
(In, Facebook QUINTA-FEIRA, 24 DE MARÇO DE 2016)

PRECÁRIOS INDIGNADOS

CEI OU NÃO CEI, eis a questão!


A dignidade de cada um de nós mede-se pelo actos que praticamos, nestes dias de “desemprego ocupacional” repleto de inércias e de tarefas pouco dignificantes, mas que são cumpridas com paixão e muito querer demonstrativas do nosso profissionalismo de que somos feitos e que jamais se perderá, perante os salpicos de indignação, discriminação e alguns murros no estômago que dia após dia nos tentam derrotar.


Os contratos de emprego-inserção têm servido para sujeitar milhares de desempregados a trabalhar a troco do subsídio de desemprego para o qual descontaram, quase como uma obrigação. Segundo a legislação, estas medidas visam melhorar os níveis de empregabilidade e promover a reinserção no mercado de trabalho dos cidadãos que se encontram em situação de desemprego… (…) 

Questão: Qual inserção? Onde? Quando?

Continua a haver uma culpabilização apontada aos desempregados pela situação em que se encontram, classificando-os inúmeras vezes como descartáveis, apelidados tantas vezes como “os do centro de emprego”, “os subsidiados” por terem falta de vontade de trabalhar, “os que querem receber sem trabalhar”, enfim, imensos cognomes de absoluta ignorância e má-fé por parte de quem tem responsabilidades e o poder de conceder emprego, de quem se assume com posição social e/ou capacidades de gestão empresarial. Mas que lhe faltam o essencial: sentimentos. 

Esta medida de apoio à falsa contratação, implementada através da Portaria 128/2009, surge como materialização dessa culpa, sujeitando os desempregados a perderem o subsídio ou outro Abono Social caso se recusem a compactuar com esta manobra política para manipular as estatísticas.

Questão: Mas, o que é afinal trabalho socialmente necessário? 

De acordo com a definição dada pelo IEFP, trata-se da “realização de actividades por desempregados inscritos nos centros de emprego que satisfaçam necessidades sociais ou colectivas temporárias, prestadas em entidade pública ou privada sem fins lucrativos”. 
Chamemos-lhe então pelo verdadeiro significado que é simplesmente uma clara exploração laboral, sem direito a salário e a um contrato de trabalho efectivo. Mas é o que há ou havia! 

A candidatura a estas medidas de apoio à contratação (sem contratação) não pode visar a ocupação de postos de trabalho, mas que se contradiz pela forma como a maioria dos ocupados se encontra nos locais de trabalho - efectivamente ocupados.

Enquanto se contratam e descartam trabalhadores sem emprego, o DESCRÉDITO instala-se. Os pensamentos e sentimentos negativos tomam conta de nós. E quanto maior for o tempo de espera maior é a tendência para se acentuar o DESESPERO, a sensação de INUTILIDADE e a REVOLTA. Há TRISTEZA em demasia, DEPRESSÃO, PERDA DE CONFIANÇA, a AUTO-ESTIMA degrada-se e tudo poderá culminar em bloqueio e tantas vezes em situações imprevisíveis e SEM RETORNO possível.

Perante esta panóplia de sentimentos e tormentos porque estão a passar os trabalhadores sem emprego também têm algo a dizer, a contar, a pedir urgência, a reclamar, a procurar ajuda para quem os ouça, os defenda, sinta o que eles sentem, pelo que passam, pelo que lutam, todos os dias e parece que quem decide resolveu esquecê-los. Mas há esperança! Tem de haver e quem tem esse “dom” de o mostrar tem urgentemente de o fazer e demonstrar.


Testemunho:

Sou um trabalhador DLD - desempregado de longa duração e no âmbito de uma medida de emprego do IEFP, fui contrato em 13 de Setembro de 2015 para desempenhar tarefas socialmente necessárias num Contrato Emprego Inserção num Instituto Público com termo em 13 de Maio de 2016 e PROMESSA VERBAL de prorrogação do mesmo até 13 de Setembro do corrente ano, afirmado por um superior hierárquico desse mesmo Instituto. Após a assinatura do referido contrato fui colocado num gabinete com trabalhadores contratados sem vínculo ao Estado mas com todas as regalias dos funcionários em serviços públicos, subordinados ao referido superior, que me esclareceu sobre as tarefas a desempenhar bem como cumprimento do horário de 8 horas diárias – 40h semanais; foram-me dadas as tarefas específicas para a função em causa, inclusivamente a possibilidade de saída em serviço externo para um dos serviços anexos do Instituto, a alguns quilómetros de distância da sede. A deslocação era feita em viatura do Instituto mas não seriam pagas refeições nem qualquer outro tipo de ajuda, contrariamente ao que acontece com os funcionários públicos em serviço externo. Por este motivo e porque tive de me deslocar para executar serviço externo, pelo qual tive de pagar o meu almoço no restaurante, solicitei um parecer junto do IEFP sobre esta matéria pelo que fui informado, de que não havia qualquer tipo de obrigação em deslocações em serviço ao exterior por parte dos ocupados dos CEI’s. Esta situação arrasta-se até ao momento e ainda não teve solução. A solução pessoal que encontrei será a de levar o próprio almoço, pois não me foi dada qualquer sugestão por parte do Instituto.

Através de fonte externa, fui informado de que a candidatura a que o meu CEI está associada prevê apenas 8 meses de tarefas socialmente necessárias sem qualquer prorrogação, pelo que solicitei, de imediato, com alguma estranheza e preocupação, junto do superior hierárquico do Instituto uma explicação sobre a situação do meu contrato, que inicialmente seria de 8 meses prorrogáveis até 1 ano, tal como me foi prometido verbalmente, mas agora, será apenas de 8 meses.
De referir que, recebo pouco mais de 570,00€ mensais e tenho despesas fixas de 650,00€, tendo de recorrer à ajuda de Familiar com escassos recursos. Quatro meses de Contrato são cerca de 700€, para quem ganha tão pouco, este valor equilibraria as contas correntes. Fiz uma previsão baseado nas promessas do dirigente público e a previsão saiu gorada e é uma atitude reprovável como a seguir descrevo:
A questão colocada foi estranhamente recebida, pois o dirigente responsável no Instituto em causa, alegando desconhecimento dos prazos do Contrato, apresentou a desculpa referindo-se a outros procedimentos contratuais utilizados em anos anteriores, que nada tinham a ver com a actualidade. Um desconhecimento e desactualização desta natureza por parte de um técnico superior e de dirigente público é inconcebível. Já anteriormente na assinatura do referido CEI, já tinha havido um esquecimento nas assinaturas dos responsáveis que obrigam o Instituto e oficializam os respectivos Contractos.
Errar é coisa de humanos, mas há erros caros que não se toleram vindos de quem desempenha funções públicas há imenso tempo.
O que é um facto real é que o meu Contrato que era inicialmente de 8 + 4 meses está agora reduzido em 8 meses, por descuido anómalo e/ou divergência hierárquica, que para esta Instituição, não influencia ou altera na sua dinâmica, pois não existem custos associados.
“E os desempregados que se arranjem. Arranjem trabalho, pois não querem fazer nenhum!”
Tal como me disse há dias um empresário, que só o é pelo cargo que ocupa por ser o proprietário, na Zona Industrial, que teve para comigo esta atitude, quando lhe pedi por trabalho e um carimbo na declaração de procura de emprego. Por muito pouco ia sendo “corrido” do estabelecimento. E já não é a primeira vez que atitudes desta natureza me surpreendem por cá.
Considero-me, por isto, perplexo, enganado e defraudado tendo já manifestado a minha indignação a quem acho de direito ouvir, por esta ilusão que me ofereceram, mas que vale de pouco. Não poderei reclamar mais perante seja quem fôr sob pena de vir a perder o meu sustento actual que se resume ao subsídio de desemprego e à bolsa de apenas 4 meses e uns dias, dos 9 inicialmente previstos e PROMETIDOS.
Haverá certamente mais casos idênticos com promessas iniciais e resoluções díspares, mas até ao momento, parece que ninguém tem um pingo de consciência e sensibilidade para informar e esclarecer o que quer que seja. Não é a legislação que sofreu qualquer tipo de alteração. Não são os CEI’s que têm mais ou menos prazos de concretização. Se são renovados ou não são. É sim um caso de desconsideração simples e cruel. De desinteresse. De “deixar andar o barco” pois ele não vai afundar por estar seguro à âncora estatal. É uma falta de muita coisa associada que parece mal e está mal.
No fim dos prazos, sejam eles longos ou curtos ou irrisoriamente absurdos (os de 3 meses), o fim inevitável de toda esta “geringonça” termina com um descartável adeus. Mas mantém-se os contra-sensos inevitáveis, o silogismo é lógico e pertinente - senão fazemos falta e se fomos requisitados, então é porque não havia número suficiente de efectivos ao serviço. Então em que ficamos? E se quem regressa, por direito da requalificação, recorre de imediato à baixa médica, algo se passa!
Pela esperança de que hoje em dia tanto se fala mas que ainda não se sente, não podemos esperar tanto tempo, desejamos ardentemente que não venha tarde, pois como eu, há muitos desempregados com os subsídios a terminar e já com complementos deste abono a meio termo.
Para muitos, à qual eu estou seriamente solidário, pondera-se uma solução drástica, a viabilidade de antecipação da reforma aos 57 anos com fortes penalizações e resultado irreversível e imprevisível....
Sou um DLD que PRECISA, como infelizmente milhares de desempregados em Portugal, com a MÁXIMA URGÊNCIA, de que alguma medida diferente, eficiente e real aconteça rapidamente e transforme o meu (de todos) DESESPERO e a ANSIEDADE numa, nem que seja pequena ESPERANÇA que nos faça viver de novo. Os CEI’s ajudam mas adiam o inadiável.
E não escrevo isto por parecer bem ou para impressionar seja quem fôr, muito menos para culpar ou estigmatizar pessoas.
O que sinto, é o que escrevo, porque o desejo e anseio ver mudada a vida que tanto custa a passar, nestas circunstâncias.
E que as conquistas alcançadas neste novo tempo de democracia plena e cívica, a que orgulhosamente pertenço, tenham valido a pena. Pois já não sei se vou conseguir resistir sem ajuda verdadeira e sem promessas.

PAULO PORTAS ABANDONA A GERINGONÇA DO CDS

PORTAS VAI DEIXAR A POLÍTICA - ESTOU ARRASADO
Paulo Portas vai abandonar a geringonça do CDS, perdão, a liderança. Eu fazia o mesmo: liderar o Telmo Correia, o Nuno Magalhães, o Nuno Melo, a Cecília Meireles, etc, é o mesmo que ter um skate no estacionamento e entrar no café com as chaves de um Mercedes na mão. O CDS de hoje em dia já não é um partido. Fazendo a analogia com a refeição de Natal, o CDS é a "roupa velha" da política. São os restos que não couberam no PSD e no PS. Por exemplo, Basílio Horta e Freitas do Amaral, mal puderam, puseram-se ao fresco. O CDS já foi o partido do furgão, do taxi, do monociclo, e com boa vontade, presentemente, é o partido do tuk. Tuk, porque não tem gente para encher um tuk tuk, daí só um tuk.
Paulo Portas sai, pois, após o fim da Coligação com o PSD, teria de resumir-se à sua insignificância, e voltar a ter a importância da porteira da cantina do Parlamento. Como sabemos, o "feiras", não sabe viver sem poder, poder que presidir a um dos partidos mais bizarros da história da democracia, não confere. Dá mais prestígio fazer parte do grupo de "amigos" do Santos Silva que fazer parte do CDS, mesmo que fosse somente para demolir a sede.
Lembram-se da rábula do irrevogável, para andar tudo atrás dele? Vejam a diferença: "Vou deixar o CDS". Fiz eu mais força para ele ficar, para nunca nos esquecermos de um dos símbolos mais deprimentes da política nacional, que os próprios colegas, que acham que Portas tem a importância para o partido de uma viola num enterro, ou das investigações policiais para descobrir culpados na falência dos bancos. Zero. Dizem coisas semelhantes às que uma mulher diz quando nos calça os patins: "és espectacular, mereces o melhor". Xau!
A SICN disse ontem que Portas troca a política pela "vida empresarial. Um homem em que todos lhe reconhecemos o jeito para o "negócio", não terá dificuldades em cobrar anos de dedicação desinteressada à causa pública. Facilmente irá trabalhar para a Ferrostal, empresa que comercializa submarinos (os tais); ou para a que perdoou 189 milhões de euros no negócio dos Pandur (outros tais), e que depois não quis explicar o porquê. Provavelmente tinha solário e branqueamento dentário nesse dia.
Se nenhuma proposta destas lhe agradar, pode sempre fazer uma perninha na Xerox, dado que também é mestre manusear papel, no caso, triturar documentos (mais tais) pela noite dentro.
Não falo no mal-entendido, certamente, do Palinho com a Universidade Moderna por me parecer que Portas não quer voltar a um local onde "já foi feliz", e onde não há mais nada de interessante - até o Jaguar em que andava, pago pela universidade, já não faz parte do espólio da instituição. É um homem habituado a bancos de pele e volante de pau, não se encosta em qualquer napa manhosa.
Um abraço Portas, e manda saudades, que é coisa que cá não deixas.

(In, https://www.facebook.com/finalmentesouumgajodesempregado/)

O COELHO, A AMIGA... E OS PALHAÇOS!

O coelho, a amiga e os palhaços vieram do país das maravilhas passear ao circo... mas perderam-se no caminho... e andam à deriva, praguejando com tudo e todos! O caminho mudou mas ainda não discerniram entre a realidade e a ilusão encardida! O desespero de não encontrarem a entrada para o seu mundo ilusório torna-os monotrematos, uma espécie de répteis viscosos e espinhosos que chafurdam na lama das suas existências raivosas. Encontramos alguns nas esquinas do país a conspirar, a formular estratégias para encontrar uma máquina do tempo que os faça regressar ao país de origem, qual cenário fantástico num filme real. Entretanto insistem em instalar-se como o Estado Instável e ameaçador que irá subjugar e manipular, mas como já é um mau hábito, ninguém os leva a sério... e não passam disto! Entretanto vão batendo o pé com a birra!

DESABAFO

Já estou a ficar sem paciência para tanta campanha contra um eventual governo de esquerda em Portugal!
Fazendo desde já um preâmbulo de que considero que o Partido Socialista deveria liderar a oposição e amarrar parlamentarmente os restantes partidos às suas iniciativas legislativas tenho a considerar:
1) Se realmente estão tão interessados em interpretar o sentido de voto dos portugueses aqui estão alguns números: a) 51% dos portugueses votaram contra as actuais políticas de austeridade, sobretaxa de IRS, jornada de 40H semanais, abolição de feriados e férias, corte nos salários, corte abonos de família, plafonamento da Segurança e a favor do reforço do Estado social, de mais direitos e segurança laboral;
b) 70% dos eleitores pronunciaram-se a favor da União Europeia, Euro, Nato, cumprimento das obrigações internacionais, contra a nacionalização da banca e de outros sectores de actividade;
2) As eleições legislativas não elegem directamente o Primeiro-Ministro. Elegem sim os representantes dos cidadãos, por cada círculo eleitoral, à Assembleia da República;
3) A Constituição não inibe a formação de coligações pré ou pós eleitorais;
4) Foi o Presidente da República que impôs como condição, para nomear um governo, a existência de uma maioria parlamentar;
5) O PS não pode ser forçado a "associar-se" ao PSD. Para tanta gente que quer interpretar o sentido de voto Socialista tenho a dizer que não votei para essa situação;
6) Gostaria de perguntar a quem votou PàF se concorda com a hipótese de uma coligação com o PS ou com a adopção do Programa eleitoral socialista;
7) Gostaria de perguntar a quem votou PSD em 2011, se a solução de governo conjunto com o CDS, estava previamente implícita e se concordavam com esse cenário;
8) Para quem diz que não é democrático dois partidos com cerca de 20% dos votos formarem governo pergunto então se é democrático o CDS estar há quatro anos na governação detendo pastas como Agricultura, Segurança Social, Economia, Ambiente e Ordenamento do Território;

O que é necessário perceber é que o mundo mudou e o equilíbrio de forças no parlamento também! A coligação pode saber interpretar o sentido de voto dos portugueses ou então resignar-se e perceber que a única solução de estabilidade governativa passa por um governo de esquerda!
Gonçalo Fernandes Costa