2010/01/26

PRESSENTIR


A sala encerra gritos inocentes,

No meu cérebro

O teu corpo aquece-me,

Brisa forte lá fora, saboreio o teu gosto,

Ainda não chegaste aqui

A este lugar,

A este ermo de emoções…

A angústia alimenta o desânimo,

Olha… trazes-me confiança, sabes!?.

Conto os momentos, (que tormentos),

Atado, preso à delícia de um sonho

Neste lugar,

Neste refúgio de piedosos gestos…

As nuvens do pensamento adensam-se,

Neste tempo de palavras – vida, ver-te,

Silêncio, nada.

O sono completa o drama,

De um homem que chora quando ama,

Por este lugar,

Por esta ilusão encardida.

Na sala devastada pelo silêncio,uma ténue miragem esfuma-se...

Na angústia incessante que o coração encerra,

Pressinto a incrível sensação de teres passado por aqui…

Quem és tu ninfa edílica que me visitas?

Ou Dionisus que me presentea com a sua visita e me alimenta a alma com um toque mitológico de loucura.


Nas profundezas da sala, algo se agita ao fundo e me estende a mão exitante,


Olá solidão!

Por escassos instantes esqueci-me de si!

Venha… vamos…)


João Belém

2010-01-26

2010/01/24

MADE IN PORTUGAL!!!


O ZÉ, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã. Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China). Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss). Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas. Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego. Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes. Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego. (Made in PORTUGAL...).
Talvez esta mensagem devesse ser enviada aos consumidores portugueses.

O Ministério da Economia de Espanha estima que se cada espanhol consumir 150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas e, ainda por cima, cria postos de trabalho.
Esperamos que esta mensagem acorde alguém.......

2010/01/19

REFLEXOS

A minha poesia reflecte-se (qual espelho), a partir de um feixe condutor, formado por intenções válidas, ramificando-se em palavras diversificadas com significado próprio e um sentimento muito íntimo e personalizado...
Cada momento que me olho no vidro que reflecte luz e cor e gestos brandos, difusos, imensas vezes absurdas sensações, fantasia pura e crua, sinto-me envelhecer...

Imensas vezes a figura sinistra que me olha com olhos sérios do outro lado, da dimensão contrária, ilude a minha gasta vista, dando-me a ilusão barata de que algo não mudou nunca, mas todos os dias desconheço mais e mais, quem é este ser cruel, que me arrasa e vence com fantasias e camadas de culpa sentida e me embriaga de perfumes fétidos, que os outros gostam, absorvem e até elogiam...

Afinal... o que é que isto tudo tem a ver com poesia?!

Pfff..... insólito reflexo!

Faz-se tarde, o trabalho espera-me, sempre. Graças a Deus e a mais alguém!!


João Belém

2010-01-20

2010/01/08

SERRA BRANCA


A serra branca, coberta de uma áurea névoa, arremessa para o ar gélidas particulazinhas de orvalho cristalino, que nos esfria a alma mas nos aquece o espírito imaginativo que logo, logo encontra uma solução palpável e aconchegante que nos proteje o corpo humanamente boquiaberto, perante tal efeito naturalmente fantástico.

Medos e preces se agigantam, perante o esvoaçante turbilhão das orvalhadas gotas, minúsculas partículas translúcidas que no ar se agitam aos milhares e rodopiam lindas, qual bailado celestial de inúmeros anjos pequeninos que nos embalam os ouvidos com cânticos angelicais e nos tamborilam o rosto reconfortando-nos o ego já cansado, marterizado por um final de dia burocrático de inimaginárias e estapafúrdias rotinas, que o quotidiano sem história e fortuna, nos reserva sempre e nos arrasa e convence, que os números e papelada solta são lucros fáceis que dão riqueza e poderio.
Mera ilusão!! Triste realidade!!

Apesar disso tudo é espectacular e enebriático o sentimento ilusório que nos dá esta visão deslumbrada das translúcidas partículas que nos envolvem e esvoaçam à nossa volta e se esfumam como num ápice sobre nós, dando-nos a sensação de vivermos um sonho acordados.

Porque o que nos abraça e envolve é água solidamente gelada e ao mesmo tempo enternecedora que não aquece mas fortalece a alma elevando-nos no espaço temporal qual levitação heterea.
Admirar a serra branca, é voar rápidamente no tempo, qual nave espacial de metal branco e novo e aterrar lá bem no alto, onde o gelo é vidro fosco e escorrediço, onde possamos sentir o poder do alto no momento, perante o Céu que nos admira impávido e sereno em todo o seu esplendor e nos convence tocando-nos bem dentro de nós fazendo-nos arrepiar.
É então que acordamos deste estado letárgico entre sonho e realidade e se nos deparam os ruídos e os cheiros e as marsias do nosso tempo.

É a sensação reconfortantemente maravilhosa de estarmos vivos, mas glacialmente congelados!!!


João Belém

2010-01-08

2010/01/05

Portalegre JazzFest 2010 (8ª edição)


2010/01/04

Chove...


Vagarosamente,
a solidão envolve-me.

O amor ausente,
não desvanece o morto tempo.

Um leve despertar recorda a saudade.
Um doce lembrar embala mas desassossega,
de novo.

Momentaneamente, a vida,
os irrisórios,
abstractos,
lentos factos,
infinitas rotinas,

tendem a uma total displicência,
que temporariamente me assola.


Chove de novo,
lá fora.

Os algeroz extravasam repletos,
as violentas bátegas que sulcam o empapado solo.

O negro asfalto,
sacudido p’lo vento agreste
é um inóspito mar,

profunda cova de gritos,
prantos viúvos,
tenebrosas vagas,
que despedaçam
toda e qualquer espécie errante,
desprevenida,
aventureira de vida.


Chove deveras
e é lindo.

Advinham-se tempos de outrora
(mera ilusão!!).


Quando o Sol da primavera despertar paixões e cantos,
a flor nascerá.

A vida vai brotar resplandecente de cada fresta aberta.

Vagarosamente,
a solidão que há poucas horas me assolava a alma,

não passa agora, de uma ténue saudade que se esvai,
perante o cenário radioso
de uma paisagem alentejana (que eu adoro!),

varrida pela chuva de inverno (que eu detesto!!).

João Belém
2010-01-04