2011/02/19

9º. JAZZFEST PORTALEGRE 2011



O 9º Festival Internacional de Jazz de Portalegre abriu com chave de ouro.

Bernardo Sassetti Trio é, sem sombra de dúvida, a formação mais estável do jazz português em actividade. Neste concerto, Bernardo Sassetti, Carlos Barretto e Alexandre Frazão revelaram e mostraram de novo ao imenso público habitué do Jazz em Portalegre, que são dos mais talentosos músicos de jazz que Portugal tem.

Excelente noite de jazz.

(Fotografias, In, http://www.hardmusica.pt/concertos/20110129174754_K4X268A9L9K3F9E66F38.jpg e http://www.google.pt/url?source=imgres&ct=img&q=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjcgQAK1quweLml0-AW3siwckaqBzIfbODJbNFbGSsF-FO-dIieN1oUG8arIRe1_rTgUFl6bqkRidFy4b3Sa2cJn6d5xtVkc_vazCdytCGBJwkxla-cBUXGAXYIIqtc-cCNLKff1n58hDei/s400/Bernardo+Sassetti+Trio.jpg&sa=X&ei=pGpgTYRElfXhBomYqNsJ&ved=0CAQQ8wc&usg=AFQjCNEiojvOc21u5T6N4vqrV6JimHS6kw

2011/02/09

HESITAÇÃO


Escorrem gotas de suor na vidraça do meu contentamento.

De verde e oiro se agitam folhas e ramos curvados, p’lo ímpeto agreste da minha vontade, que transborda clamores e gestos, perante um rol infinito de incertezas.

Redemoinho de inutilidades e graça forçada, p’la vida ignóbil de que não vou sair, nem que ganhe a lotaria, sem sequer sacar um único cêntimo do rôto bolso no casaco surrado.

Pus ponto e vírgula na avenida e sofregamente deambulei p’la escura e disforme escadaria da minha existência… perdendo-me completamente nos labirínticos corredores de passadeiras vermelhas e corroídas por loucas e destemidas traças douradas.

Filamentos soltos de cabelos e lã esvoaçam à passagem daquele triste e pesado fardo de vícios e receios.

A madrugada… essa vagabunda e devassa realidade perdeu-se há muito no meu pensamento.

De novo na madrugada perdida…

hesito antes do sonho chegar…

(coragem)

e entro…

João Belém

2011-02-09

2011/02/02

Lágrima


Uma translúcida lágrima que no canto espreita...

De todos os destinos conhecidos, só o meu se desconhece. O caminho é estranho e indefinido. Sobe e desce, desce e sobe. De uma inconstância de angústias é formado. Apesar dos males, há um silêncio que me conforta e abraça fortemente. Reina uma abominável insegurança. O mito da união e da concórdia dominadora há muito que se desmoronou como um baralho de cartas, não as escritas, mas de jogo cru e vil.

(Que sonho mais audaz!)

Vivo de palpites, cenas, apostas, esquemas. Jogo com a sorte e com o azar. Perco e perco. E volto a perder (insisto sempre). Não é teimosia, nem estupidez. É só meu. Muito meu!
Sempre perdendo, ganho!
Juízo!
Algum.
Vai sendo um modo de (sobre)viver.

Acho... por vezes... no meio do pó, de rolos de cotão cinza que rolam soltos, pelas pedras duras da rua onde moro, pequenos nadas, que pouco significado têm. Memórias... sentimentos vagos, mas ternos. (Ora, ora... perderam-se completamente... Como foi possível?)
Mas tocam-me ao de leve nas mãos, no rosto esquecido e triste.
Quantas vezes olho o espelho vazio e aguardo. Aos poucos e poucos a imagem compõem-se. Fico mais descansado. Lá de dentro, nem de belo, nem de disforme e volátil. Nada!
Indiferente a mim próprio, vasculho o espaço, a outra dimensão abstracta na esperança de mudança.
Procurando nadas. Vivendo de rotinas, gasto-me. De uma coisa estou certo e certamente reajo - não me conformo nem preciso da esmola de um sorriso piedoso.
Era só o que me faltava!!

Ao inóspito. Ao fiasco. À suspeita parva. Ao desvario megalómano. Às incertezas. Aos desígnios da virtude e dos virtuosismos. À loucura. Ao vício. Nego tudo!
Desconheço, mas reconheço que existem, e afasto-os. Afasto-me silenciosamente, na bruma do tempo que ainda posso suportar. Neste mar de subterfúgios, há um tudo nada de irrealidade.
É quase uma história contada e cantada aos sete ventos....

"Era uma vez,
num lugar distante,
um, dois, três... amores...
derreteram um coração,
com promessas e algumas graças,
de sorrisos e chalaças.
Vã mentira!"


Um facto certo - existe uma chaga aberta, talvez duas ou três. Existem mais certamente! Mas que por nada deste mundo saram. E dói cá dentro... e muito! E ao doer... sinto. E ao sentir que dói... sei que sou eu mesmo que sinto. Logo... existo!
Talvez no tal espelho reflectido, afinal sempre exista algo definido (embora translúcido). A Indiferença, pura e crua. (Silogismos ou puros devaneios...)
Sentimentos absurdos que não vislumbro.

A translúcida lágrima que no canto espreita, inflamou a vista que se encerra, por fim, e na noite gelada, ternamente, deslizou calidamente no meu rosto, adoçando-me o hálito, numa carícia meiguinha.

João Belém
2011-02-02

Ocaso


O Sol é a tua voz,
Apenas isso me aquece a alma.

O tremer não é frio,
Já não se chama medo.

Não ser capaz de atingir o cume,

É mera ilusão dos desalentados.
A maneira eficaz de alcançar algo,
É existir.

A Esperança de ser único,
Esvai-se no tempo que sobeja.
Mantenho-me subtil,
E de tanto pensar, esmoreço só.

O Sol já é ocaso,
Num horizonte vago, longínquo.
O temor de um novo amanhecer,
Arrasa o sacrifício.

Minh’ alma sonha… e desassossega.

João Belém
2011-02-02