DESCONTOS E PROMOÇÕES


Ninguém está disposto a ceder alguma coisa sem uma contrapartida, ou seja, sem ganhar algo em troca

É irritante a publicidade natalícia a 4 meses no Natal que uma marca nacional lançou há dias na tv.

Denota uma falta de sensibilidade e uma maneira airosa e insistente para “esvaziar os bolsos” dos portugueses, numa altura extremamente difícil em que as famílias deitam contas à vida e se debatem com a severa austeridade que nos avassala o quotidiano, com mais impostos e custos financeiros extraordinários de difícil resolução nos meses que se avizilham.

É irritante e banal a forma como o fazem, em horário nobre, chegam a lançar 5 vezes o dito anúncio, num sinal evidente de intimidação consumista desenfreada, numa clara intenção de desrespeito pelo momento presente, em que as famílias tentam equilibrar as contas com a educação dos seus filhos.

Por detrás está um marketing elaborado, pois existem fortes possibilidades de quebra nas vendas, por isso um sem número de cálculos e hipóteses para alcançar sucessos de vendas nos são impostos, além dos impostos, claro. Já chegam as imposições económico-políticas do Estado e a partir de agora, mais uma obrigação - o consumismo natalício. É incrível!

O que se vai ver na televisão, rádio e flyers a partir de agora, em termos de consumismo natalício é uma tentativa atroz de nos exigirem mais sacrifícios numa clara intenção de negócios fáceis, explorando a ingenuidade das pessoas. Perante um consumismo banal e desenfreado as marcas vão-nos impingir de tudo para nos sacar o dinheiro que nos resta ou, por outro lado, o dinheiro que alguns ainda terão de pedir emprestado.

Se tivermos que comprar algum produto de primeira necessidade, não é por isso que vamos esperar pela publicidade do Natal para o comprar.

No Natal festejamos o nascimento de Cristo, a partilha e a fraternidade entre os povos, e não o nascimento da Leopoldina ou de qualquer outra marca” que nos dão descontos e promoções, antecipadamente pagas por nós todos. Estas são maneiras airosas de nos enganarem – “ninguém está disposto a ceder alguma coisa sem uma contrapartida, ou seja, sem ganhar algo em troca.”

Bom… isto é a minha mera opinião, mas esta mera irritação momentânea não passa nem com aspirinas….

João Belém

(foto in, http://visualdicas.blogspot.com/2011/02/disciplina-sem-imposicao.html)


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