CREPÚSCULOS II


Musas do idealismo entrem nos meus ouvidos.
Pairem no silêncio do quarto escuro,
revolvam-me o sossego
devolvam-me os sorrisos,
gozem a minh'amargura desmesuradamente.
Vá lá! A noite está a cair!
O dia que virá é célere.
Façam qualquer coisa que cesse esta minha calma barata.
Escrevam algumas letras neste verso branco que é a noite,
soletrem no ar que sopra.
Sou eu que estou aqui.
Quantas vezes falo alto,
queimando os ouvidos dos outros surdos,
ôcos de desejo, mas tão libertos que magoam minh'alma.
Vá lá! A noite cai reconfortante!
Alguém invente um símbolo da sorte
que não seja prece ou verdade fútil.
Que não tenha crenças nem ideias loucas.
Neste quarto de silêncios de paredes nuas,
as frustrações perduram envolvidas no gesso branco,
ou será cal, apagada, crua, nua...
Vá lá! O ruído incessante da noite perturba o sôno,
que teimosamente se recusa a entrar.
Talvez encontre um sonho bom de azul metálico,
que me embale o corpo
e com a noite que resta... vou sobreviver...

João Belém
2010-10-25

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