JANELA NATURAL


Através dela vejo o Mar amplo,
repouso,
quieto mar de água clara,
serena:
“Tudo se realizará” -
- diz o Mar.

Da gruta dos sonhos cor-de-rosas,
avisto
o recortado horizonte,
distingo,
um barco
e um pássaro,

esfrego os olhos,
fascinado.


O rumor do vento
traz-me recordações
de outras eras,

terras infindáveis,
perdidas na imensidão,
do meu pensamento:
“A tua vez chegou” -
- diz o Vento.

O horizonte,
perspectiva do futuro ilimitado,
limita o Céu do Mar,
ao centro o Sol,
astro central luminoso,
do mundo que habito

e que em volta do qual tudo gira.
Por aqui, olho,
admiro,
medito,
separo a luz das trevas;

o pássaro, em cima,
voa,

o barco, em baixo,
navega,

o Sol, ao longe,
ergue-se,

o vento acalma e acalma-me;

saio p’ra fora,
sem receio,
com coragem, passo a fenda natural,
escuro buraco, negro passado;
à minha frente, o Mar corre,
vasculhando a vida,
ecoando às gentes:

"Desta vez,
deixem-me ser feliz.”


João Belém, 1983

1 comentário:

Antonia Ruivo disse...

Deslizei por esse poema com um sorriso nos lábios, e pensei, que maldade não te dedicares mais à poesia. que te deixem ser feliz sim, tu mereces, beijinhos