Viva o Estrela.

EDITORIAL do Jornal «Notícias do Estrela», de Janeiro e Fevereiro de 2008, Edição Nº. 7 – Ano 1
É certo que em Portalegre, já não se sente verdadeiramente o ambiente de um domingo "futeboleiro".

Já não se vêem movimentações junto do estádio; não é possível ver adeptos com o cachecol ou a camisola do seu Clube; não se vêem bancas a vender cachecóis e bandeiras; não se vê uma única roulotte a vender os "comes e bebes" da praxe; não se ouve barulho; resumindo e concluindo, pode um simples cidadão mais distraído passar à porta do estádio e não perceber sequer que ali se realizará dentro de momentos um jogo de futebol.

Depois do almoço saio de casa mais cedo do que é habitual, para respirar mais uma vez o ambiente (ou a falta dele) de um jogo de futebol em casa.

É impossível não sentir uma profunda tristeza e alguma revolta. Aqueles que sentem o futebol como eu sinto não conseguem ficar indiferentes a isto tudo.

Passado alguns momentos entro no estádio.

Os jogadores (em número superior ao dos adeptos) fazem tranquilamente o aquecimento no relvado.

A conta gotas, os mesmos de sempre começam a aparecer.

São poucos mas são dos bons (lá diz o Santainho)!

São aqueles que nunca negaram apoio à equipa mesmo quando esta não vence há inúmeras jornadas; são aqueles que à chuva ou ao sol, e privando-se de outras coisas se fazem à estrada para defender o seu Clube - são estes adeptos que o honram, que honram a cidade com a sua presença; esses que, com um estádio vazio e mudo tentam transmitir aos jogadores em campo que há ainda alguém que acredita neles. Esses são os mesmos de sempre, alguns dos verdadeiros clubistas.

Não é fácil ser-se clubista. Trata-se de um amor que é constantemente posto à prova, enchovalhado por alguns e desprezado por outros.

Todos os dias convivemos com esta realidade e todos os domingos marcamos presença nos jogos. Não nos demovemos facilmente. Não duvidem do nosso querer. É a matéria de que é feita a fibra clubista, de que somos feitos todos nós.

Fazemos a nossa obrigação de alma e coração e no próximo domingo lá estaremos onde quer que seja para festejar à nossa maneira a honra e a glória de ser do Estrela.

VIVA O ESTRELA

João Belém, 2008

ENTREVISTA COM JOÃO BELÉM (Tesoureiro, Director do Departamento de Futebol e Jornal «Notícias do Estrela») – Edição Nº. 7 de Janeiro e Fevereiro de 2008

Face aos maus resultados da equipa de futebol sénior, a anunciada descida aos campeonatos distritais estará garantida? O que sucedeu?

Com as conquistas alcançadas na época passada – Campeonato, Taça e Supertaça da A.F.Portalegre, gerou-se uma euforia generalizada. Criaram-se expectativas, formou-se uma equipa competitiva e experiente, na sua maioria, de atletas do Estrela e outros que jogavam, em épocas anteriores, no escalão superior do futebol distrital. Ricardo Pinto, ex-atleta e capitão do Estrela, no seu “arranque” como Treinador foi contratado para comandar os destinos da equipa na dura prova da 3ª. divisão – Série E, onde fomos colocados, por condicionalismos federativos, que desconheço.

Foram prometidos alguns apoios, que não foram concretizados, e, mesmo o que contribuíram, e aos quais agradecemos sempre, foram escassos, para compensar as despesas.

O apoio dos sócios foi também prejudicial - quando a equipa joga em casa não são suficientes. São poucos mais são dos bons, mas é triste ver um estádio vazio enquanto que fora de casa, as bancadas estão repletas de público; são visões diferentes de apoiar o seu futebol e uma forte negação ao comodismo.

Algumas situações, no que diz respeito aos treinos nos locais habituais para este efeito, que deixam muito a desejar. Uma equipa que representa a cidade numa prova nacional de futebol não pode treinar de trás de uma baliza ou num complexo desportivo, sujeito, rigidamente, a um horário que só se assemelha a horário escolar. Vi várias vezes atletas nossos lesionarem-se no degradado piso detrás da baliza no Estádio, pois o relvado muito simplesmente não existe – só tem buracos. Porque não é só a nossa equipa que lá treina, são também os outros clubes, as outras modalidades, o comum cidadão; acredito que os relvados, como espaço desportivo, são insuficientes para todos, mas tem de haver um melhor planeamento, uma distinção nas necessidades do seus utilizadores: os que pagam para utilizar e mantêm a competição, em primeiro lugar, promovendo, em particular, os seus Clubes e, fundamentalmente, a Cidade de Portalegre, e os restantes que os utilizam para o lazer.

Quanto à competição em si, a equipa demonstrou sempre uma postura de querer e uma força de vontade, contrariada, imensas vezes, por algumas lesões contrariadoras de atletas fundamentais, tensões provocadas pela “troca” de treinadores e, não esquecendo, todas as arbitragens tendenciosas a ditar resultados finais enganadores para a real valia da nossa equipa.

No meio do Campeonato o abandono de alguns dirigentes do departamento de Futebol veio dar mais um golpe no futebol sénior do Estrela. Quem acredita sempre alcança. Apesar desta atitude que em nada dignificou o Sport Clube Estrela, os lugares deixados foram devidamente ocupados, por gente do Estrela, que, com sobrecarga de funções, desempenharam condignamente as suas actividades e a equipa melhor de performance - somou pontos, jogou melhor, com entrega, abnegação e força de vontade, não conseguindo deixar o último lugar, por condicionalismos já referidos, mas nunca deixou de defender um dos objectivos propostos no início – dignificar o Estrela.

Que desejos formula para a futura Direcção do S.C.Estrela?

Desejo a todos os companheiros que vão integrar a nova Direcção muitas Felicidades e um excelente trabalho, para que atinjam os objectivos a que se propõem a bem do Sport Clube Estrela e da Cidade de Portalegre.

Viva o Estrela.


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