Vento suão

(Fotografia de Manuel Dinis Cortes, In, http://www.olhares.pt)


A tarde termina.

Cálida e revolta por entre risos e choros

De nadas e de coisas nenhumas.

A brisa nocturna acomete-me

Agita-me a alegria moribunda
De mais um dia de esperas.


Mas algo de estranho acontece...


O vento suão

Envolve-me,

Empurra-me para a cadeira

Que com os seus braços me envolve:


«Escuta-me!» diz o vento.

«Ouve o que eu tenho p’ra te dizer!»


Desnorteado, esbugalho os olhos

Admirado,

Mas lúcido uma vez mais… e escuto,

Com muita atenção.


«Quantas vezes (tu não sabes!) mas eu sei

Que te deitas a pensar

E te levantas sem sorrir

O que tantas e tantas vezes te quero dizer.

Eu chego e alcanço,

O teu pensamento.
Por vezes passo distante eu sinto a tua tristeza,

E escuto sem saberes o que fazer às tuas mágoas.

Tantas vezes esqueces-me,

E segues caminhos incertos,

Moribundos numa esperança que tarda.»


Só saberei de certeza

Se a voz que me trazes Ó vento

É aquela parte de mim

Que anda perdida no pensamento.


«Então segue-me!» - disse o vento.

1 comentário:

escritatrocada disse...

Que virá a seguir, ao seguir do vento.