Do meio dos ruídos da cidade



Do meio dos ruídos da cidade, recolho uma aragem fresca que se escapa por entre o braseiro de um estio canicular.
Neste rumor de frescura, um frenesim de querubins de trapos de cor púrpura e escarlate e amplas asas brancas esvoaçam ao meu redor.
Finjo que gosto.
Realmente finjo que vivo. Nem tento sorrir à festa e ao convite para entrar na dança.
O paraíso de brandos costumes e piedosas sombras engana.
Sobrevivo à alucinação e ao delírio que inunda qual ondas de mar revolto que tudo arrastam em redor da sala vazia.
A tentação agrada-me.
Mais que o feliz momento inebriante é a agradável sensação de pura entrega ao sonho… sem retorno!
Não durmo.
Na casa toda, um aroma a maresia e a narcisos frescos causa-me náuseas.
Pétalas amarelas, soltas cobrem as lajes frias. Afinal, era verdade!

Desperto... por fim da catatonia de que padeço.
Do meio dos ruídos da cidade, já ouço a manhã chegar…
Bom dia!

J.Belém
Julho 2013

(Foto In, http://atitudedeadoradores.blogspot.pt/2009/04/andando-pelas-ruas-eu-vejo-algo-mais-do.html)