Alacrimia congénita



Queixumes perdidos entre os dentes gastos,
do meu íntimo repleto de desumanas lutas.
A lenta barba cresce e acinzenta-se caindo em pó de lava apagada cobrindo calçadas famintas.
Perante a esmorecida luz do descontentamento atroz,
vil maneira de sucumbir aos dias, às horas vazias de largos silêncios, os pés arrastam nos duros e cúbicos graníticos paralelos.
Logo à partida, desafios gorados.
Na assombrosa montanha de "des" e "ses" e "talvez" se constrói o mundo meu indestrutível (pensava!).
Numa fatídica união de fato.

Num mero fim de estação, dia, semana, mês talvez... acúleos brotaram rudes, sub-reticiamente na raiz fasciculada do meu âmago, qual ser draconiano que me envolve e me consome de raiva e me torna clorofílico.
Fogo brota entre dentes e lábios de diabo solto, numa insana loucura de lumes, risos, gestos.
(O peito arde).
As têmporas de veias duras, palpitam e explodem em dores... e prantos de viúvas.
A raiva nasce... rói... corrompe... dilacera... rói de novo... numa moinha pulverizada de riscos e pontos e vírgulas e exclamações. No fim interrogações.
Promessas... Sinas... Ses... Des... Talvez contradições... E muitas... imensas desilusões!

Esgotaram-se as lágrimas...


João Belém

2013.03.11

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