VAMOS AO TEATRO


ACTO IV

 

A história continua em passos de dança cigana,
O martírio prossegue, insano…
A tragédia aproxima-se do apogeu grandiloquente…
O pano irá cair no palco enegrecido e sofregamente,
perante toda a plateia atónita, o cenário mudará de tons e sons,
minoritariamente o público ausente rejubila por finalmente sair, 
por não se vislumbrar nada de novo 
num final épico que se adivinha…

(Saio célere qual flecha arremessada do suplício do dia triste
Que dilacera o ânimo e destrói a esperança.
Aguardo sem fé de que algo útil se descortine
Em tamanha mediocridade disfarçada de inteligência mórbida,
Tal como mórbido é o sentimento que me assola a alma...
Largar tudo e todos perder e esquecer,
Por entre sombras e sons, cada vez mais inaudíveis até... se desvanecerem,
E a paz finalmente reinar à minha volta, diante da luz ténue das velas acesas
Na celebração fúnebre de um terminus).
 
Ficarão promessas…
Descréditos!

Não voltarei a cometer a tentação de mudar o imutável
Convencer cépticos e megalómanos.
Loucas tentações e anseios de viragem brusca e violenta.

Aparecerão profetas…
Inéditos!

Sairei voando desse espaço num instante,
Cantarei o verão das cores e dos odores,
Com sorte e graça.
Sairei com tudo e de nada me vale sorrir ao mundo e às estrelas do firmamento,
Porque serei então feliz
De nada me valendo os brados de protesto e urras de justiça.
Dos que me criticam e me atiram na cara os erros do começo.
Vou regressar a um passado presente num futuro incondicional…

Cai o pano (abruptamente)

 e sem aplausos…

Um vazio gela o meu sentimento de indiferença. Nada merece nem um mero comentário.

FIM

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